LIDIANA CUIABANO Assessoria/Sejusp-MT
Na semana em que se comemora as conquistas e a evolução da mulher - com o Dia Internacional da Mulher - uma entre
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| Diretora do Presídio Feminino Ana Maria do Couto May, Dinalva Oriede |
vista com uma das figuras mais cativas do Sistema Prisional de Mato Grosso. A poconeana Dinalva Oriede Silva Souza, 45 anos, graduada em serviço social e especialista em Gestão Penitenciária e Política Social, fala como é ser mãe, esposa e a mulher profissional que gerencia há 4 anos o presídio feminino Ana Maria do Couto May, em Cuiabá - unidade reconhecida pelo levantamento da CPI do Sistema Carcerário, da Câmara Federal, como o melhor presídio feminino do Brasil.
Nessa entrevista, queremos também prestar uma pequena homenagem a todas as profissionais que atuam no Sistema Prisional de Mato Grosso, se dedicando ao exaustivo trabalho cotidiano nas unidades.
Há quanto tempo está no Sistema Prisional e como ingressou?
Dinalva: Estou há 10 anos no Sistema. Entrei em maio de 1999, quando soube que a Secretaria de Segurança Pública precisava de assistente social para atender a demanda das cadeias e presídios do Estado. Na época, as assistentes sociais ficavam em uma sala na Casa do Albergado, em Cuiabá, pois as unidades prisionais não possuíam estrutura física própria para os profissionais prestarem atendimento aos reeducandos.
Quais profissões exerceu antes de assumir a direção do presídio feminino?
Dinalva: Sou graduada em Serviço Social, com especialização em Gestão Penitenciária e Política Social. Comecei a trabalhar na área da educação, em creches. Entrei para o Sistema Prisional atuando como assistente social, depois assumi a vice diretoria da Casa do Albergado de Cuiabá - de abril de 2002 a março de 2003 - e vice diretoria do presídio feminino.
Como entrou para o presídio feminino e há quanto tempo assumiu a direção?
Dinalva: Quando trabalhava na Casa do Albergado, a unidade passava por um momento delicado com os reeducandos, como, por exemplo, ausência de oportunidade de trabalho para eles. Foi então que eu, junto com outros profissionais que atuavam na época na unidade, iniciamos um trabalho de visitas às famílias dos reclusos e propiciamos oportunidades de trabalho para eles. A direção da Casa do Albergado à época reconheceu essa iniciativa desenvolvida com os reeducandos e me convidou para assumir a vice diretoria do presídio feminino, em 2003. No ano de 2004, assumi a direção da unidade.
Qual foi a maior dificuldade encontrada como diretora do presídio feminino?
Dinalva: O começo foi bastante difícil, pois assumi o cargo logo após uma rebelião. Os funcionários trabalhavam apreensivos, pois ainda não haviam vivenciado uma situação de crise. Portanto, foi um longo trajeto até colocar o presídio em ordem, recuperar a estrutura física que havia sido danificada, além de fazer com que os funcionários perdessem a sensação de medo ocasionada pela rebelião. Foi um momento difícil, de muito trabalho e dedicação.
Por ser mulher, ajudou em alguma situação ocorrida dentro do presídio?
Dinalva: Com certeza, em diversas situações. O meu trabalho quanto diretora não é só administrativo, mas também conhecer as reeducandas, saber o que se passa com elas. E, por eu ser mulher, acredito que tenho uma sensibilidade maior, mais facilidade em lidar com as questões íntimas dessas mulheres. Percebo que as reeducandas sentem uma necessidade muito grande em ter alguém em quem elas possam confiar para conversar sobre questões pessoais, familiares. Atualmente, a população carcerária feminina é bem jovem – de 18 a 39 anos – e muitas depois que ingressam no Sistema Prisional adquirem doenças psicológicas, como depressão.
Teve que abdicar de algo para ser diretora do presídio?
Dinalva: Sim, de momentos de lazer, de estar com meus amigos, com minha família. A partir do momento em que assumi a direção do presídio, essas pessoas acabaram ficando em segundo plano. Não consigo estar em nenhum lugar tranqüilo sem deixar de me preocupar com o que pode estar acontecendo no presídio.
O que acha das mulheres estarem assumindo cada vez mais cargos de liderança?
Dinalva: Atualmente a mulher está se qualificando mais e está tão capacitada quanto os homens. Acredito que a sensibilidade mais aguçada, e o jeito próprio da mulher em estar sempre atenta a tudo, faz com que ela conquiste cada dia mais espaço que antes era ocupado apenas por homens.
Como concilia a realidade de ser diretora de unidade prisional, mãe e esposa?
Dinalva: É um pouco complicado. Tenho filhas adolescentes, e quando entrei para o Sistema Prisional elas eram pequenas, necessitavam de maior atenção. Meu marido é compreensivo, e tenho sorte de ter uma família que me da suporte. A minha fé religiosa também me ajuda muito, me dando equilíbrio físico, espiritual e emocional para estar trabalhando todos os dias. |