Em uma antiga cadeia ao lado do Centro Sócioeducativo de Cuiabá, que abrigava adolescentes infratores, o projeto Rede Cidadã deu início às suas atividades, em 1999 por meio das Bases Comunitárias. As grades ainda estão presentes no local onde o projeto é realizado.
J. A. P.F, de 17 anos, é um exemplo dessa iniciativa do Governo do Estado. Ele participa do projeto desde setembro de 2008. Morador do bairro Três Barras, Jorge conheceu o programa Rede Cidadã por meio de dois colegas da Escola Estadual Dione Augusta da Silva Souza e fez sua matrícula na aula de violão e informática.
Encaminhado pela Secretaria de Educação em 2008 por vandalismo e mau comportamento, seu sonho é fazer faculdade de Administração e montar sua própria empresa. Ele vai se tornar líder em sua comunidade, pois participa de um curso preparatório de Agentes Sociais.
O papel desses agentes é tornar-se exemplo na comunidade, perceber e divulgar os problemas enfrentados pelos moradores e trazer melhorias ao bairro por meio do Rede Cidadã. O curso tem sete módulos, sendo que o último tem o propósito de fazer com que os adolescentes percebam a importância da escolha no mercado de trabalho.
J.A.P.F viu muitos de seus amigos se renderem às drogas. Passava a maior parte do tempo em casa ou na rua com os amigos. Assim como ele, A. C.S, de 16 anos, e A.F.D, também de 16 anos participam do curso de Agente Social. Os três jovens estão ansiosos para trabalhar e ajudar suas famílias.
A Rede cidadã oferece às crianças e adolescentes aulas de informática, práticas desportivas, culturais (aulas de violão, flauta coral, teatro, mosaico e pintura que será implantada). O projeto funciona nas regiões dos bairros Planalto, Três Barras, Ribeirão do Lipa, Pedregal, Pedra 90, São João Del Rey, e Aráes.
Segundo a coordenadora da Rede Cidadã em Mato Grosso, tenente-coronel Zózima Dias dos Santos Sales, o trabalho é feito dentro da filosofia de polícia comunitária. Esta filosofia tem como objetivo capacitar os policiais para exercer a filosofia de polícia para a comunidade e multiplicar a ideia, bem como difundir essa filosofia entre os líderes de bairros, que estão cotidianamente junto à população.
BASES COMUNITÁRIAS
A Secretaria de Justiça e Segurança Pública já implantou 12 bases comunitárias, sendo 10 na Capital e duas em Várzea Grande, seu efetivo é formado pela Polícia Militar, Judiciária Civil, Perícia Técnica e Corpo de Bombeiros, viabiliza o atendimento integrado para cerca de 280 mil habitantes dos bairros. A Polícia Comunitária atua em conjunto nas ações pró-ativas para resolução dos problemas da comunidade. Mais de 800 servidores da segurança pública e líderes comunitários foram capacitados em 2009. É uma forma de policiamento preventivo.